Acesso Água Potável

O planeta Terra possui cerca de 71% de sua superfície coberta por água. No entanto, aproximadamente 97,5% desse total é composto por água salgada, enquanto apenas 2,5% corresponde à água doce, utilizada para consumo humano. Ainda assim, nem toda a água doce está disponível, já que grande parte encontra-se em estado sólido, em geleiras e calotas polares. Do total de água doce existente, apenas cerca de 0,77% está efetivamente disponível, e nem sempre atende aos padrões necessários para ser considerada potável.

A água potável é aquela própria para consumo humano, ou seja, livre de substâncias e organismos que possam causar doenças, além de não apresentar cor, gosto ou odor. Para que seja classificada como potável, é necessário avaliar suas características físicas, químicas, biológicas e até radioativas.

Em geral, a água de rios e lagos não é adequada para consumo direto, sendo indispensável que passe por processos de tratamento em estações específicas. Após o tratamento, são realizados testes para verificar se a água atende aos padrões de potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Somente após essa verificação a água pode ser distribuída à população.

Apesar dos avanços, o acesso à água potável ainda é um desafio global. A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 748 milhões de pessoas no mundo não têm acesso sustentável à água potável, e aproximadamente 1,8 bilhão consomem água contaminada, ficando expostas a doenças que podem levar à morte. No Brasil, em 2024, 84,1% da população tinha acesso à água potável, o que significa que cerca de 33 milhões de pessoas ainda não contam com esse serviço essencial.

O ideal é que 100% da população seja atendida com água potável; para fins de avaliação, considera-se satisfatória uma cobertura de, no mínimo, 90%. Nesse contexto, observa-se que, em 2024, o Distrito Federal apresentou a maior proporção de atendimento (97,45%), seguido por São Paulo (97,36%) e Sergipe (93,74%). Goiás registrou 88,83% de cobertura. Em contrapartida, os menores índices foram observados no Acre (44,27%) e no Pará (51,56%).

A insuficiência de acesso à água potável contribui para a disseminação de diversas doenças, como diarreia por Escherichia coli, amebíase, cólera, leptospirose, disenteria bacteriana, hepatite A, esquistossomose, febre tifoide, ascaridíase, dengue, infecções por rotavírus, poliomielite e toxoplasmose.

Entre as principais causas da falta de água potável, destacam-se a poluição dos recursos hídricos e a deficiência no planejamento de sua distribuição. Diante disso, torna-se fundamental a implementação de políticas públicas, acompanhadas de investimentos financeiros, voltadas à conservação dos corpos d’água, à despoluição de rios e à ampliação do acesso. Além disso, o investimento contínuo em saneamento básico é essencial para garantir o tratamento adequado do esgoto e o fornecimento de água de qualidade à população.