Imunização contra a Poliomielite

A cobertura vacinal corresponde ao percentual de crianças menores de 5 anos com o esquema vacinal completo em determinado espaço geográfico e ano considerado.

Esse indicador permite estimar o nível de proteção da população infantil contra a poliomielite, doença evitável por meio da imunização, desde que o esquema básico de vacinação seja cumprido. A meta preconizada pelo Ministério da Saúde é vacinar, no mínimo, 95% da população-alvo.

Segundo definição da Fiocruz, a poliomielite, também chamada de paralisia infantil, é uma doença infectocontagiosa aguda causada pelo poliovírus, que se instala no intestino. Embora seja mais frequente em crianças menores de 4 anos, também pode acometer adultos.

Cerca de 1% dos infectados pode desenvolver a forma paralítica da doença, que pode deixar sequelas permanentes, causar insuficiência respiratória e, em alguns casos, levar ao óbito. Em geral, a paralisia atinge os membros inferiores de forma assimétrica, caracterizando-se pela perda de força muscular e dos reflexos, com preservação da sensibilidade.

A poliomielite não possui tratamento específico, devendo ser prevenida por meio da vacinação e de medidas sanitárias, como o controle da contaminação fecal da água e dos alimentos. Condições precárias de habitação, higiene inadequada e alta densidade de crianças no mesmo domicílio favorecem a transmissão, o que torna o saneamento básico essencial para sua prevenção. No Brasil, a vacinação é realizada rotineiramente nas unidades de saúde e em campanhas nacionais.

O esquema vacinal contra a poliomielite sofreu atualização recente. Até 2024, considerava-se esquema completo a administração de três doses da vacina inativada (VIP), aos 2, 4 e 6 meses, seguidas de dois reforços com a vacina oral (VOP), aplicados aos 15 meses e aos 4 anos de idade. A partir de 2025, o esquema passou a ser composto por quatro doses de VIP: três doses aplicadas antes de 1 ano de idade (aos 2, 4 e 6 meses) e um reforço com VIP aos 15 meses.

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde, o Brasil recebeu, em 1994, o certificado de eliminação da poliomielite. No entanto, enquanto a doença não for erradicada mundialmente — como ocorreu com a varíola —, permanece o risco de reintrodução por casos importados, o que exige manutenção de altas coberturas vacinais e vigilância contínua.

O ministro da Saúde do Brasil que teve a honra de receber o certificado de eliminação da pólio, um esforço coletivo de todos os brasileiros, principalmente dos profissionais da saúde, por décadas, foi o médico Henrique Antonio Santillo, que também foi governador de Goiás e presidente do Tribunal de Contas do Estado de Goiás.

Apesar desse histórico, observa-se, no Brasil, uma queda acentuada na cobertura vacinal contra a poliomielite, o que é preocupante, pois pode favorecer a reintrodução da doença. Houve pequena recuperação em 2023, mas ainda é necessária ação imediata para elevar os índices a níveis adequados.

Para a poliomielite, é essencial alcançar cobertura superior a 95%. A reintrodução da doença já foi registrada em alguns locais, como Israel. Nos Estados Unidos, houve caso importado em julho de 2020, e, em 2022, o vírus foi identificado em amostras de esgoto em Londres, o que gerou alerta das autoridades de saúde. O Brasil também está sujeito a esse risco.

Historicamente, o Brasil é referência mundial em campanhas de vacinação em massa. No entanto, a redução recente nas campanhas e a disseminação de desinformação têm contribuído para a queda da cobertura vacinal.

Em 2025, a cobertura vacinal contra a poliomielite no Brasil alcançou 85,4%, permanecendo abaixo da meta estabelecida. Em Goiás, o índice foi ainda inferior, com 80,3%. O Espírito Santo registrou a maior cobertura (91,5%), embora ainda aquém do nível ideal. Em contrapartida, estados como Amapá (73,1%), Pará (76,98%) e Rio de Janeiro (77,07%) apresentaram percentuais mais baixos, o que evidencia a gravidade do cenário e reforça a necessidade de mobilização conjunta dos governos e da sociedade para ampliar a vacinação.

Observações

Atualmente, o portal considera os dados do sistema vacinal completo até 5 anos, ou seja, crianças que foram vacinadas com os seguintes imunos: vacina de poliomielite VIP (aos 2 e 4 meses) e uma dose da VOP (aos 6 meses), com intervalo de 60 dias entre as doses e mínimo de 30 dias. São realizadas doses de reforço com a VOP aos 15 meses e aos 4 anos de idade. Cada dose da vacina corresponde a duas gotas.